terça-feira, 11 de maio de 2010

Mulheres ao espelho


Enquanto perverso rias

Tu fizeste o que podias

Para eu deixar de te amar

Tornaste as noites vazias

E não fosse eu querer esperar

Anoiteceste os meus dias

Inventaste mil pecados

Que eu não tinha cometido

Mil mentiras sem sentido

Desmanchaste os meus bordados

E retalhaste o vestido

Com que eu me tinha casado

Como bem sabes agora

E hás-de sentir vida fora

Tanto mal era escusado

Se te querias ir embora

Não ganhaste com a demora

Senão partires mais culpado

Não nego que me doeu

Mas juro que até à data

A dor de nada valeu

O amor não se desata

A tua paixão morreu

Mas a minha não se mata

Poema: Maria do Rosário Pedreira

Fotografia: Ron Jones

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