(Texto literário da 1ª parte do exame do 4º ano- aceder ao exame completo aqui)

«Longe, lá longe no mar alto, a água é tão azul como as pétalas da mais bela centáurea e tão límpida como o vidro mais transparente; mas é profunda, muito profunda, tão profunda que nenhuma âncora jamais lá chegou. Nessas profundezas vivia o povo das águas.
Não se deve pensar, nem por um único momento, que lá em baixo não há nada senão areia branca. Não, a verdade é que crescem aí as mais maravilhosas árvores e plantas, com caules e folhas tão frágeis e sensíveis que ondulam com o mais leve movimento das águas, como criaturas animadas de vida. Toda a espécie de peixes, grandes e pequenos, desliza por entre os ramos, como aves voando pelo ar. No sítio mais profundo, fica o palácio do rei. As paredes são de coral e as compridas janelas pontiagudas são do âmbar mais transparente, enquanto o telhado é feito de conchas de ostras que abrem e fecham com as ondas.
Não se deve pensar, nem por um único momento, que lá em baixo não há nada senão areia branca. Não, a verdade é que crescem aí as mais maravilhosas árvores e plantas, com caules e folhas tão frágeis e sensíveis que ondulam com o mais leve movimento das águas, como criaturas animadas de vida. Toda a espécie de peixes, grandes e pequenos, desliza por entre os ramos, como aves voando pelo ar. No sítio mais profundo, fica o palácio do rei. As paredes são de coral e as compridas janelas pontiagudas são do âmbar mais transparente, enquanto o telhado é feito de conchas de ostras que abrem e fecham com as ondas.
O rei era viúvo há muitos anos, e a rainha mãe é que lhe governava a casa. Era uma senhora idosa e muito sensata, embora demasiado orgulhosa da sua posição real, pelo que usava sempre doze ostras na cauda, ao passo que às outras pessoas da realeza só era permitido usar seis. Mas ela merecia um tratamento especial, porque cuidava das princesinhas suas netas.
Eram seis, todas belas, mas a mais nova era a mais bela de todas. A sua pele era como uma pétala de rosa, lisa e sedosa, e os seus olhos eram tão azuis como o lago mais profundo. Mas, tal como as outras, não tinha pés: o seu corpo terminava numa cauda de peixe. Durante todo o dia, ela e as suas irmãs brincavam no palácio, saindo e entrando das enormes salas, onde cresciam flores marinhas nas paredes.
Eram seis, todas belas, mas a mais nova era a mais bela de todas. A sua pele era como uma pétala de rosa, lisa e sedosa, e os seus olhos eram tão azuis como o lago mais profundo. Mas, tal como as outras, não tinha pés: o seu corpo terminava numa cauda de peixe. Durante todo o dia, ela e as suas irmãs brincavam no palácio, saindo e entrando das enormes salas, onde cresciam flores marinhas nas paredes.
Fora do palácio havia um grande jardim com árvores vermelhas como o fogo e azuis como o mar. Cada uma das princesinhas tinha uma pequena parcela de jardim que ela própria cultivava como queria. Uma deu ao seu canteiro a forma de uma baleia; outra, a de uma sereia. Mas a mais nova desenhou o seu canteiro em círculo, como o Sol, e as únicas flores que lá plantou eram como pequenos sóis, com o mesmo brilho e a mesma cor.
Era uma criança estranha, calada e pensativa. Enquanto as outras irmãs decoravam os seus canteiros com várias coisas provenientes de navios afundados, o único ornamento que ela escolheu foi uma bela escultura de mármore representando um lindo rapazinho, feita de pedra branca e proveniente também de um naufrágio. Ao lado do rapazinho de mármore plantou uma roseira que parecia um salgueiro-chorão, a qual cresceu rapidamente, até que os seus ramos se curvaram sobre a figura de pedra, tocando na areia azul do fundo.
Nada dava maior prazer à princesinha do que ouvir falar do longínquo mundo dos seres humanos. Pedia à velha avó que lhe contasse tudo o que sabia sobre navios e cidades, pessoas e animais. Achava estranho e maravilhoso que as flores da terra tivessem cheiro, porque as do mar não cheiravam a nada.
– Assim que fizerem quinze anos – disse a avó às suas netas – podem ir até à superfície, sentar-se nas rochas ao luar e ver os grandes navios que passam lá em cima. Se tiverem coragem suficiente, até poderão ver bosques e cidades! (…)»
– Assim que fizerem quinze anos – disse a avó às suas netas – podem ir até à superfície, sentar-se nas rochas ao luar e ver os grandes navios que passam lá em cima. Se tiverem coragem suficiente, até poderão ver bosques e cidades! (…)»
Hans Christian Andersen, A Sereiazinha (trad. Ribeiro da Fonseca), 2.ª edição, Porto, Edições Afrontamento, 2009
(texto com supressões)
(texto com supressões)
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