terça-feira, 11 de março de 2014

Quase...quase...



Quase um Poema de Amor 

 Há muito tempo já que não escrevo um poema 

 De amor. 
 E é o que eu sei fazer com mais delicadeza! 
 A nossa natureza
 Lusitana 
 Tem essa humana 
 Graça 
 Feiticeira 
 De tornar de cristal
 A mais sentimental 
 E baça 
 Bebedeira.

 Mas ou seja que vou envelhecendo 

 E ninguém me deseje apaixonado, 
 Ou que a antiga paixão 
 Me mantenha calado
 O coração 
 Num íntimo pudor, 
 — Há muito tempo já que não escrevo um poema 
 De amor. 


 Miguel Torga, in 'Diário V'

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