segunda-feira, 8 de junho de 2015

Na biblioteca

Na biblioteca

O que não pode ser dito
guarda um silêncio feito
de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiado tarde,

quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,

em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,

as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.

Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.


Manuel António Pina


segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dia da criança


Toda criança no mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.
Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.
Lamber fundo da panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!
Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.

Ruth Rocha


Dia Mundial da criança

Mas engane-se quem pensa que este dia é simplesmente uma festa onde as crianças recebem presentes. Esta data representa o dia em que se lembram todas aquelas crianças, que pelo mundo fora, sofrem de maus tratos, doenças, fome e qualquer tipo de discriminações.
Este dia começou a comemorar-se em 1950, depois da Federação Democrática Internacional das Mulheres propor às Nações Unidas que se criasse um dia dedicado às crianças de todo o mundo. Este pedido veio no sentido de tentar resolver o problema criado com a 2ª Guerra Mundial, que fez com que a crise atingisse muitos países da Europa, do Médio Oriente e da China, deixando de existir boas condições para se viver. Não havia comida, muitas crianças perderam os pais e outras tantas foram obrigadas a trabalhar para ajudarem nas despesas. Esses trabalhos eram muito duros e durante muitas horas.
Assim, a partir do dia 1 de junho desse ano, foi reconhecido às crianças, independentemente da raça, sexo, cor, religião e origem nacional e social, o direito ao afeto, amor, compreensão, alimentação adequada, cuidados médicos, educação gratuita, proteção contra todas as formas de exploração e crescerem num clima de paz e fraternidade.
Porém, só nove anos depois, em 1959 é que estes direitos das crianças passaram para o papel e a 20 de novembro foi criada a "Declaração dos Direitos da Criança", com o intuito  de proporcionar a todas as crianças do mundo, uma vida digna e feliz. 
A Declaração dos Direitos da Criança é composta por uma lista de 10 princípios, onde as crianças têm: 
1     - Direito à igualdade, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade;
2     - Direito a especial proteção para o seu desenvolvimento físico, mental e   social;
3     - Direito a um nome e a uma nacionalidade;
4     - Direito à alimentação, moradia e assistência médica adequadas para a criança e para mãe;
5     - Direito à educação e a cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente;
6     - Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade;
7     - Direito à educação gratuita e ao lazer infantil;
8     - Direito a ser socorrido em primeiro lugar, em caso de catástrofes;
9     - Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho;
10  - Direito a crescer dentro de um espírito de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.

Quando esta Declaração fez 30 anos, foi aprovada a "Convenção sobre os Direitos da Criança", um documento mais completo, com 54 artigos e que se tornou numa Lei Internacional em 1990. Pode ser consultada aqui