terça-feira, 20 de setembro de 2016

Uma névoa de Outono




Uma névoa de Outono o ar raro vela, (5-11-1932)


Uma névoa de Outono o ar raro vela,

Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.



Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.

Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.



Amanhã, se estiver um dia igual,

Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]
                                           Fernando Pessoa


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