O patrimônio
acumulado pelo 1% das pessoas mais ricas do mundo superou em 2015 o dos 99%
restantes, um ano antes do que as previsões a respeito - informa a ONG
britânica Oxfam, nesta segunda-feira, às vésperas do Fórum Econômico Mundial de
Davos, na Suíça.
O Fórum
começa nesta quarta-feira, 20 de janeiro.
"O fosso
entre a faixa dos mais ricos e do restante da população (do planeta) se
aprofundou de maneira espetacular nos últimos 12 meses", constata um
relatório da ONG intitulado "Uma economia a serviço do 1%".
"No ano
passado, a Oxfam previu que isso aconteceria em 2016. No entanto, aconteceu já
em 2015: um ano antes", alerta o informe.
Para ilustrar
essa enorme diferença nas desigualdades nesses últimos anos, a ONG calcula que
"62 pessoas possuem tanto (capital) quanto a metade mais pobre da
população mundial". Há apenas cinco anos, eram 388.
"Esses
números deveriam chocar o mundo", afirma à AFP Katy Wright, assessora da
ONG. "Infelizmente, estamos começando a nos habituar a repetição deste
tipo de estatística apocalíptica. O que pedimos hoje são verdadeiras
medidas" para inverter esta realidade, explicou.
A ONG convoca
os participantes de Davos a agir. "Não podemos continuar deixando que
centenas de milhões de pessoas passem fome, quando os recursos para ajudá-los
estão concentrados no topo da cadeia por algumas poucas pessoas", afirma
Manon Aubry, encarregada dos assuntos de Justiça Fiscal e Desigualdades da
Oxfam França, citada em um comunicado.
Segundo a
Oxfam, "desde o início do século XXI, a metade mais pobre da humanidade se
beneficia de menos de 1% do aumento total da riqueza mundial, enquanto que o 1%
mais rico distribuiu entre si a metade dessa alta".
"Há uma
espécie de círculo vicioso. Mais as pessoas ficam ricas, mais se tornam
poderosas e mais se esforçam para contornar as regras em benefício
próprio", denuncia Wright, que chama os líderes políticos do mundo inteiro
a garantir para as suas populações que "todos os impostos sejam pagos e
investidos corretamente na saúde e na educação".
Para enfrentar
esse crescimento das desigualdades, a Oxfam pede, em particular, que se ponha
fim "à era dos paraísos fiscais", destacando que nove em cada dez
empresas que aparecem "entre os sócios estratégicos" do Fórum
"estão presentes em pelo menos um paraíso fiscal".
"Devemos
encarar os governos, empresas e elites econômicas presentes em Davos para que
se comprometam a pôr fim a esta era dos paraísos fiscais, que alimentam as
desigualdades mundiais e impedem centenas de milhões de pessoas de sair da
pobreza", afirma a diretora-geral da Oxfam International, Winnie Byanyima,
que estará em Davos.

