quinta-feira, 8 de julho de 2010

Tempo em que se morre


Agora é Verão, eu sei.

Tempo de facas,

tempo em que se perdem os anéis

as cobras à míngua de água.

Tempo em que se morre

de tanto olhar os barcos.





                                                         É no Verão, repito.

Estás sentada no terraço

e para ti correm todos os meus rios.

Entraste pelos espelhos:

mal respiras.

Vê-se bem que já não sabes respirar

que terás de aprender com as abelhas.


Sobre os gerânios

te debruças lentamente.

Com o rumor de água

sonâmbula ou de arbusto decepado

dás-me a beber

um tempo assim ardente.


Pousas as mãos sobre o meu rosto

e vais partir,

sem nada dizer,

pois só quiseste despertar em mim

a vocação do fogo ou do orvalho.


E devagar, sem te voltares

pelos espelhos entras na noite acesa.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não

Porque os outros usam a virtude

Para comprar o que não tem perdão

Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados

Onde germina calada a podridão.

Porque os outros se calam mas tu não.


Poque os outros se compram e se vendem

E os seus gestos dão sempre dividendo.

Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos

E tu vais de mãos dadas com os perigos.

Porque os outros calculam mas tu não.

(Sophia de Mello Breyner Andresen, Mar Novo)

Jovens e livros

terça-feira, 15 de junho de 2010

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Filinto de Barros


Filinto de Barros
1942
Um escritor que mergulha o leitor no mundo mágico e místico africano…

(Ver mais na Barra lateral em Documentos - Separador - Autor do Mês )


Trabalho da aluna Joana Bastos n.º 13, 12.º B
 
Filinto de Barros descreve a realidade guineense ao ínfimo pormenor, com o intuito de transformá-la (podemos enquadrá-lo deste modo na corrente neo-realista).



Este mostra a miséria, a corrupção, a dor e repúdio ao colonialismo sentido pelos guineenses.


O escritor nutre uma nostalgia de um tempo anterior, pretendendo, deste modo, dar uma identidade à sua nação. Esse tempo anterior remonta para a civilização sem qualquer marca colonial.


Além disso, é fundamental comparar Filinto de Barros com o escritor Abdulai Silá, pois ambos denunciam a realidade que os rodeia e estão conscientes do estado do seu país e por conseguinte, pretendem transformá-lo.




Cultura geral de Literatura

Concurso de cultura geral de Literatura e Língua Portuguesa


Resultado final:

Vencedor do Ensino Secundário

Joana Bastos, do 12ºB