Os desafios no mundo da edição impressa e electrónica e nas novas formas de leitura centrarão os debates do 2º Fórum Mundial da Unesco sobre Culturas e Indústrias Culturais (Focus 2011), que será realizado na cidade italiana de Monza, entre os dias 6 e 8 de junho. Alguns especialistas se reunirão durante 3 dias para debater o tema: 'O livro amanhã: o futuro da palavra escrita'. Entre eles, autores, editores, cientistas, jornalistas, bibliotecários, sociólogos, blogueiros, pesquisadores, políticos e responsáveis econômicos, procedentes de mais de 30 países. Para a Unesco, a importância do livro não está só nos seus envolvimentos emocionais, pedagógicos e culturais, mas também na sua relação directa com as repercussões económicas e comerciais para o sector da edição mundial. Sublinhe-se que Focus 2011 terá três assuntos fundamentais 'A economia do livro digital', os 'Direitos autorais de propriedade intelectual na era digital' e 'A biblioteca digital'.
Blog de divulgação das atividades da Biblioteca Escolar.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Tiji: un anúncio que dava um livro infantil!
No início o mundo era a preto e branco
Depois chegaram as cores
Florestas, rios, animais, flores... tudo mudou.Enfim, quase tudo...
O Poema
O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê
O poema alguém o dirá
Às searas
Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento
O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento
No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas
(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)
Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas
E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo.
Sophia de Mello Breyner, in Livro Sexto (1962)
segunda-feira, 6 de junho de 2011
MADREDEUS - Haja o Que Houver
Haja o que houver eu estou aqui
Haja o que houver espero por ti
Volta no vento, ó meu amor!
Volta depressa por favor.
Há quanto tempo já esqueci
Porque fiquei longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento por favor!
Eu sei, eu sei
Quem és para mim
Haja o que houver espero por ti
Fala poesia
Isto de fazer poesia
hoje em dia
é carolice.
Há quem brinque
há quem ria
há quem ache esquisitice.
Mas que querem?
Se os poetas gostam de alinhar
versos e mais versos
e construir universos
de palavras?
Deixem falar os poetas
não se riam!
e vereis o universo
caber na linha dum verso!
Fala poesia!
Vasco Cabral, A luta é a minha Primavera
domingo, 5 de junho de 2011
As palavras
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
sábado, 4 de junho de 2011
Estrelas
O azul do céu precipitou-se na janela. Uma vertigem, com certeza. As estrelas, agora, são focos compactos de luz que a transparência variável das vidraças acumula ou dilata. Não cintilam, porém.
Chamo um astrólogo amigo:
«Então?»
«O céu parou. É o fim do mundo».
Mas outro amigo, o inventor de jogos, diz-me:
«Deixe-o falar. Incline a cabeça para o lado, altere o ângulo de visão».
Sigo o conselho: e as estrelas rebentam num grande fulgor, os revérberos embatem nos caixilhos que lembram a moldura dum desenho infantil.
Carlos de Oliveira, "Sobre o Lado Esquerdo"
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Confissão
De um e outro lado do que sou,da luz e da obscuridade,
do ouro e do pó,
ouço pedirem-me que escolha;
e deixe para trás a inquietação,
a dor,
um peso de não sei que ansiedade.
Mas levo comigo tudo
o que recuso. Sinto
colar-se-me às costas
um resto de noite;
e não sei voltar-me
para a frente, onde
amanhece.
Nuno Júdice, in
Meditação sobre ruínas, Ed. Quetzal
do ouro e do pó,
ouço pedirem-me que escolha;
e deixe para trás a inquietação,
a dor,
um peso de não sei que ansiedade.
Mas levo comigo tudo
o que recuso. Sinto
colar-se-me às costas
um resto de noite;
e não sei voltar-me
para a frente, onde
amanhece.
Nuno Júdice, in
Meditação sobre ruínas, Ed. Quetzal
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Belas palavras de Camões pela voz e pelo gesto de Isabela Salim, recolhida em Um Poema por Semana, iniciativa RTP em forma de blog. Serviço público de televisão e de promoção da leitura.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E, em mim, converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões, 1524?-1580
Sonetos de Luís de Camões
escolhidos por Eugénio de Andrade. Ed. Assírio & Alvim
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